Grande Alvim.

Ainda não percebi muito bem se sou de direita ou de esquerda, a ultrapassar sou de esquerda, a escrever de direita e em determinados domínios sou aquilo a se pode chamar um centrista em potência. De resto, fico irritado quando dizem que alguém que é do centro é tendencialmente de direita embora se saiba que existem muitas pessoas que advogam para si, o centro esquerda. Mas que diacho, o centro é o centro e não tem que ter nenhum declive, como se fosse uma daquelas mesas de madeira cochas onde invariavelmente temos que colocar um talo de papel para as nivelar. E a ser assim, porque raio não tem a direita, uma direita-esquerda e direita-direita e, a esquerda, uma esquerda-direita e uma esquerda esquerda? Não tem. E em vez disso, existe uma extrema direita e uma extrema esquerda que ninguém entende muito bem. Porque é que é extrema? O que é isso de ir à extremidade mais longínqua da esquerda ou da direita? Será que depois de ultrapassarmos cada um desses extremos caímos numa espécie de abismo político? Será isso? E se sim, haverá aí abismo de esquerda e abismo de direita?

Não sei, admito. Mas o que sei, é que Portugal é um país tendencialmente de direita e preferencialmente do Benfica. Nem mais. Daí que me pareça legitimo dizer que o PSD é o Benfica da Política ou se quiserem, se acharem que fica mais bonito para as frases da semana, O Benfica é o PSD do Futebol. Isto é, têm tudo para ganhar e depois não ganham. Isto é, têm toda a gente do lado deles como se estivessem sempre a jogar em casa e comportam-se como se tivessem a jogar no estádio do panathinaikos . E não estão. E as pessoas fartam-se. E deixam de ir ver os jogos. E de votar. E às vezes – só por perrice – votam nos outros como protesto, da mesma forma que às vezes queremos que o Benfica perca só para o treinador ir embora de vez. E vai mesmo. E com eles muitos adeptos que entretanto perderam o hábito de ir ver a bola, de levar o cachecol encarnado e de saber de cor o hino cantado pelo Paulo de Carvalho. Quem não se lembra? Se não se importam vou cantar, com a vossa licença aqui vai disto: “Paz Pão povo e liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade!” Vá todos juntos, vamos lá dar essas mãos, toca a afinar essas gargantas, vamos vamos: “Paz Pão povo e liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade!” e agora se me permitem, deixem-me cantar sozinho esta bonita passagem com o timbre da Dulce Pontes na Ovibeja “ Tens a liberdade, dá a mão ao teu irmão, pelo bem da nossa gente, construindo sempre em frente”.

Se me vissem agora – vos juro – veriam que na minha face escorrem lágrimas de saudade destes tempos. Dos mesmos, em que o Benfica ganhava campeonatos e que o 11 no totobola ainda dava um dinheiraço. De resto, o PSD tem o seu Eusébio e ele é Francisco Sá Carneiro e quando um Benfiquista diz integralmente que é do Sport Lisboa e Benfica eu, não sei porquê, imagino um qualquer militante, a dizer que é do PPD/PSD. Os verdadeiros sociais democratas deviam dizer sempre PPD/ PSD porque isso é chamar “Papá” em linguagem politica. Dizer só PSD é chamar apenas “Pai” sem o mimo e a inegável ternura que tem um “papá”. Daí que o Benfica, este Benfica, me faça lembrar o PSD. Mas a instituição fundada a 28 de Fevereiro de 1904, o Sport Lisboa e Benfica, me lembre o PPD/PSD. O do Eusébio. O do Francisco Sá carneiro.

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